Imagem: Chico Buarque
Reprodução: Chico Buarque em foto de divulgação de Daryan Dornelles

Com álbum de músicas inéditas à vista, programado para ser lançado no segundo semestre (em agosto, se o atual cronograma for mantido), Francisco Buarque de Hollanda chega hoje, 19 de junho de 2017, aos 73 anos de vida. Não é uma data redonda, mas o nome de Chico Buarque – como o Brasil conhece este cantor, compositor e músico carioca que iniciou a carreira musical em 1964 – tem sido alvo de saudações nas redes sociais desde as primeiras horas de hoje.

Se as posições políticas do artista dividem opiniões em país polarizado de forma radical e passional, a imaculada obra musical continua sendo objeto de adoração unânime por quem se permite o privilégio de ouvir o cancioneiro construído por Chico há 49 anos. Se a discussão for somente musical, é difícil haver alguém que, conhecendo a obra, não reverencie o compositor. Ao longo dessas cinco décadas de produção musical, Chico caminhou com coerência e manteve a obra intacta.

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Os últimos álbuns evidenciaram avanços harmônicos incapazes de retirar as músicas das décadas de 1960, 1970 e 1980 do pódio da preferência popular (sobretudo as dos áureos anos 1070). São as músicas eleitas por um povo que escuta cada vez menos a obra de Chico, cujo elo com o Brasil vem se afrouxando desde os anos 1990 – para azar de um Brasil cada vez mais pobre artisticamente.

Diferentemente de Caetano Veloso, que volta e meia faz movimentos de renovação musical que rejuvenescem o público do artista baiano, Chico segue fiel a si próprio, sem real interação com a cena musical contemporânea dos anos 2000, salvo a utilização no show Chico (2011) de alguns versos escritos pelo rapper paulistano Criolo sobre a melodia de Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil, 1973). Ação feita mais pelo incentivo da cantora Thaís Gullin, namorada do cantor na época.

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O álbum a ser lançado no segundo semestre certamente vai manter inalterado o status de Chico na música brasileira. Será disco direcionado para quem consumiu com prazer o último álbum de músicas inéditas do artista, Chico (2011), lançado já há seis anos. Na espiral do tempo, esse artista se conserva incólume como compositor, envolvido por aura mitológica que parece ser alimentada pelo próprio Chico.

Para efeitos midiáticos, o artista fala pouco, aparece pouco, mas o marketing, no caso de Chico, é justamente o anti-marketing. Isso faz com que cada disco, cada livro, se torne um acontecimento apresentado à mídia com rigorosas estratégias para garantir os espaços mais nobres nos jornais, nas revistas e na web. Faz parte do show de Chico…

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De todo modo, se o escritor somente a partir do quarto livro começou a ser (realmente) admirado, descontadas as hipocrisias de quem nunca admitirá ter detestado um romance escrito por Chico, o compositor quase sempre foi genial. Qualquer álbum de músicas inéditas do artista é mesmo um acontecimento por si só para quem foi formado musicalmente pela MPB nascida na era dos festivais dos anos 1960. Aos 73 anos de vida e 49 de carreira, Francisco Buarque de Hollanda permanecerá sendo (para sempre) um dos maiores nomes da música popular do Brasil.

(Crédito da imagem: Chico Buarque em foto de divulgação de Daryan Dornelles)

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