Imagem: lorde“Melodrama”, o segundo trabalho de Lorde, é disparado o melhor disco de pop do ano.

A estreia em 2013 já havia exposto o talento da cantora neozelandesa para fazer um pop alternativo. Ou seja, uma música feita para paradas de sucesso, mas com letras mais intensas e sonoridade sem tantos clichês do estilo.

O que já era bom (“Royals”, pô) foi aprimorado. A lista de produtores aumentou (caras que trabalham com Rihanna, Beyoncé, Taylor Swfit estão lá), mas Lorde mantém sua identidade, sua melancolia.

“Melodrama” é um disco sobre uma mulher entre 16 e 20 anos. E que, nesse tempo, terminou um namoro e virou uma cantora de sucesso. É sobre isso, mas pode ser sobre qualquer um que ouvir e conseguir se ver no disco, ou se envolver com a história contada.

O fato de essas tarefas serem simples mostra que o disco é bom demais.

Veja abaixo o faixa a faixa de ‘Melodrama’:

‘Green Light’

A primeira música a ganhar clipe, em março deste ano, já mostrava para que lado o disco iria. O negócio de Lorde é pop esquisito, com mudanças de ritmos e letra emotiva. Lorde encarna uma garota de uns 18 anos dançando em uma boate reclamando que o ex não gostava de ir para a praia, mas agora – veja só – diz que ama.

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Mais uma sobre dançar e dizer verdades. É tipo R&B moderninho, algo entre Frank Ocean e Zayn, dois sujeitos com quem o produtor Malay trabalhou. “Somos o rei e a rainha do fim de semana / Não existe pílula que possa interferir na nossa adrenalina / Mas o que vamos fazer quando estivermos sóbrios?”, pergunta.

‘Homemade Dynamite’

A única que não é produzida por Jack Antonoff (da banda fun.) é a mais pop genérica, mas tem seu valor. A gaguejadinha do refrão (“homemade d-d-d-dynamite”) cola de primeira, mostrando a força da parceria com Tove Lo. Transformar a desgatada ideia do “ah, que tudo se exploda” em algo legal é um feito e tanto.

‘The Louvre’

‘Liability’

David Bowie (1947-2016) disse que ouvia em Lorde “o futuro da música”. Essa balada teclado e voz mostra que ele estava certo. “Liability” parece uma música de David Bowie (“Life on Mars”, talvez), por questões de lindeza de letra e de progressão de acordes.

“A verdade é que sou um brinquedo que as pessoas curtem / Isso até meus truques não funcionarem mais / E aí elas vão se enjoar de mim”, canta Lorde, em “Liability”.

‘Hard Feelings’/’Loveless’

“Hard Feelings” faz lembrar o trabalho de Antonoff com Taylor Swift, como em “Out of the Woods”. “Estou no Jungle City, está tarde e estou pensando em você”, canta Lorde, falando do ex e citando o estúdio em Nova York, onde “Melodrama” foi gravado. E “1989”, da Taylor, também. “Loveless” é como uma vinhetinha travessa e irônica no estilo “não existe amor nesta nossa geração”.

‘Sober II (Melodrama)’

‘Writer In The Dark’

Na balada voz e piano, a forma de cantar no refrão fez todo mundo se lembrar da Kate Bush. O que poderia ser uma zoação vira referência bem usada. “Eu te amo até minha respiração parar / Eu te amo até você chamar a polícia pra mim”, exagera.

‘Supercut’

Tem Jean-Benoît Dunckel, do Air, entre os produtores. Musicalmente, é uma das mais audaciosas e menos pop. É um crescendo eletrônico que desemboca no final com 1 minuto e 40 segundos apenas com vocais abafados e ruídos psicodélicos.

‘Liability (Reprise)’

O complemento da balada troca voz/piano por vozes mil e arranjo com batidas melancólicas.

‘Perfect Places’

Pelos vocais, pela letra e pelo arranjo, parece ter escapado do disco anterior. “Eu odeio as manchetes e o clima / Eu tenho 19 e estou com tudo / Mas quando estou dançando, estou bem / É só mais uma noite sem graça”, celebra (?) Lorde.

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