Imagem: defesa civil interdita cadas no Terra Nova vg
Defesa Civil ordenou a saída de moradores dos imóveis que podem desabar – Foto: divulgação

Uma reunião realizada na tarde da última sexta-feira (1º), entre a Comissão do Condomínio Terra Nova, no bairro 23 de Setembro, em Várzea Grande, que teve 54 residências condenadas pela Defesa Civil por causa de enormes rachaduras, fissuras e buracos, e os advogados representantes da empresa RNI Negócios Imobiliários (antiga Rodobens), terminou sem acordo. A contraproposta feita pelos condôminos será avaliada pela construtora e deve ser devolvida até esta segunda-feira (4). O prazo de 48 horas estabelecido para os moradores deixarem suas moradias venceu na sexta-feira.

Das 54 famílias notificadas pela Defesa Civil de Várzea Grande, menos da metade deixou suas residências. O órgão esteve novamente no condomínio na tarde de sexta-feira para verificar o andamento da desocupação. O condomínio possui cerca de 600 casas, sendo que 54 delas foram construídas de forma irregular. Muitas estão com rachaduras no teto, piso, paredes e até água infiltrando pela estrutura das moradias por conta de uma nascente que fica embaixo do terreno onde o condomínio foi construído.

Imagem: rachadura no piso condominio terra nova vg 2
Rachaduras atingem piso, paredes e tetos de várias casas do Condomínio Terra Nova – Foto: divulgação

A notificação foi enviada pela Defesa Civil à direção do condomínio no dia 29 do mês passado para que avisasse os moradores sobre a ordem de desocupação até 48 horas. De acordo com a notificação, as casas estão localizadas em um terreno deteriorado, o que está causando rachaduras com risco de desabar a qualquer momento.

Durante a reunião que tentou colocar fim à dor de cabeça dos moradores, a empresa Rodobens ofereceu o valor de R$ 1,5 mil mensais para custear os aluguéis de cada família  durante a reforma das casas e outros R$ 2 mil para os custos de mudança. Em contraproposta, a comissão que representa os condôminos tentou um acordo para que esse valor fosse de R$ 2 mil e condomínio para as casas sem ampliação. E o valor de R$ 2,5 mil e condomínio para as casas ampliadas, mais o valor proposto para custear a mudança das famílias que deixarão suas residências.

Imagem: parede rachada terra nova vg
Parede com enorme buraco – Foto: divulgação

Em agosto, a Defesa Civil tinha feito uma vistoria no local e concluiu que os imóveis apresentavam rachaduras e fissuras. No dia 23 de outubro, a 6ª Promotoria de Justiça Cível de Várzea Grande notificou a construtora para que adotasse as medidas de prevenção necessárias para reduzir o risco de desabamento do muro de contenção existente nos fundos do condomínio.

A jornalista e moradora do residencial, Milene Nunes, faz parte do grupo que deve desocupar os imóveis, mas ainda continuam no local. Ela entende tem de sair, mas está esperando uma posição e o apoio da construtora. “Eu vou sair, até porque a Defesa Civil está praticamente nos expulsando, nem sabe se temos para onde ir, e os responsável até aceitara fazer um acordo, mas que beneficiasse apenas a eles”, disse a moradora ao PORTAL AGORA MATO GROSSO.

Fotos divulgadas pelos moradores por meio de aplicativos de celular mostram residências com enormes rachaduras nas paredes, chão e no teto que corre risco de desabar. “Quando a construtora foi entregar a casa havia rachaduras no teto. Eles passaram uma massa corrida e tapou. Com o tempo, outros problemas estruturais foram aparecendo”, contou uma moradora.

Outro lado

Imagem: teto rachado
Teto de casa com rachaduras – Foto: divulgação

Por meio de nota, a assessoria de imprensa informou que o empreendimento Terra Nova Várzea Grande foi projetado e construído de acordo com todos os parâmetros indicados pelos órgãos competentes. Formado originalmente por 618 casas, o residencial foi entregue em 2009, em perfeitas condições de funcionamento.

A incorporadora esclareceu que, após informada pelo condomínio sobre uma notificação da Defesa Civil no mês de julho deste ano, realizou vistoria no empreendimento para apurar as possíveis causas dos danos. Além disso, contratou uma empresa especializada para fazer a documentação fotográfica dos imóveis.

A análise in loco indicou que os problemas relatados por moradores envolvem apenas as edificações construídas pelos proprietários, sem participação da construtora. A companhia alegou que não tem conhecimento sobre os métodos construtivos ou processos adotados nas ampliações ou modificações realizadas após a instalação do condomínio.

Imagem: muro de contenção do terra nova vg
Defesa Civil constatou rachaduras também no muro de contenção do condomínio – Foto: divulgação

Imagem: rachadura no piso condominio terra nova vg

Moradora mostra enorme rachadura no piso – Foto: divulgação

Comentários

*Os comentários aqui publicados são de responsabilidade dos usuários e não representam a opinião do site.