Imagem: indução de resistência 1
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Como diz o ditado, prevenir é melhor que remediar, e no que se refere ao tratamento de patologias em plantas, essa máxima também é válida. Quando se fala em prevenção de doenças, automaticamente se pensa em vacina. Há uma série de estratégias para o controle de enfermidades em plantas, como o manejo genético, cultural, físico, químico e biológico.

A indução de resistência também é uma alternativa e um método inovador que vem sendo bastante difundido para o aumento da capacidade da planta em evitar ou atrasar a entrada e/ou atividade subsequente de patógenos (fungos, bactérias, vírus e nematoides); ela equivale a uma vacina em seres humanos ou animais. Naturalmente, quando as plantas reconhecem um patógeno, emitem sinais mensageiros que ativam a produção de enzimas e proteínas de defesa resistentes à patogenicidade. Quando há um aumento no nível dessas proteínas nas plantas, começam a produzir as verdadeiras substâncias de defesa. São elas: quitinas, ligninas e enzimas específicas, como peroxidases, SOD, catalases e polifenóis. Induzir a resistência, ou a tolerância das plantas aos patógenos, nada mais é que levar as plantas a produzirem essas substâncias. Esses processos são resultado de uma série de reações bioquímicas de defesa desencadeados na planta a partir do reconhecimento de sinalizadores.

A etapa seguinte à sinalização é a manifestação da resposta de defesa, onde as plantas podem expressar barreiras bioquímicas como mecanismo de resistência a fitopatógenos; algumas destas são a produção de fenóis, fitoalexinas; proteínas-PR, peroxidação lipídica, lignificação da parede celular ou promoção de barreiras estruturais por meio da síntese de géis e gomas. Além disto, os indutores de resistência e tolerância podem promover a síntese de toxinas, enzimas de degradação da parede celular, produção de hormônios vegetais, e outros. A utilização dos indutores de resistência no cultivo, aliada ao uso de defensivos biológicos tem se mostrado uma estratégia sustentável e que traz ganhos consideráveis à lavoura – de 15% a 25% a mais em produtividade. A recomendação é que se faça a aplicação desses produtos, aliada aos defensivos, em todas as fases do desenvolvimento da planta.

A indicação é que se façam aplicações sequenciais, a cada 20 ou 30 dias, dependendo da cultura, para potencialização da defesa natural das plantas. Em resposta, as plantas aumentarão a espessura da cutícula da folha, as estruturas que vão proteger a parede celular contra os patógenos e as enzimas de defesas. Plantas mais resistentes, ou tolerantes, aumentam sua atividade fisiológica, através da maior expressão do potencial produtivo.

*Juscelio Ramos de Souza, doutor em agronomia, Kimberlit Agrociências

 

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