
O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) deve anunciar nesta terça-feira (11) que desistiu de disputar o cargo de vice-governador na chapa encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição em Mato Grosso.
Com a decisão, Garcia deverá concentrar esforços na tentativa de manter sua cadeira na Câmara dos Deputados. A mudança também marca um novo capítulo na crise entre Pivetta e o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), até então aliados políticos.
O acordo para a saída de Garcia também envolve a exoneração de Mauro Carvalho do comando da Casa Civil de Mato Grosso. Carvalho e Mendes foram os principais alvos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6).
A decisão foi definida após uma reunião de emergência entre Pivetta e Mauro Mendes. No encontro, os dois teriam formalizado o rompimento político e acertado que o governador terá liberdade para escolher um novo nome para ocupar a vaga de vice.
Entre os nomes avaliados para compor a chapa estão a deputada federal Gisela Simona (União Brasil), a primeira-dama de Rondonópolis, Alessandra Ferreira (Pode), e o ex-secretário estadual de Fazenda Rogério Gallo.
A saída de Garcia ocorre após dias de intensa tensão nos bastidores. Pivetta vinha defendendo a retirada do deputado da chapa sob o argumento de que a investigação da Polícia Federal poderia provocar desgaste à campanha de reeleição.
Mauro Mendes, por outro lado, resistia à saída de Garcia, que é considerado seu aliado político.
A crise chegou ao ponto máximo na segunda-feira (10), quando Pivetta chegou a cogitar desistir da própria candidatura diante da possibilidade de Mendes retirar o apoio da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. Uma coletiva de imprensa chegou a ser cancelada em meio às negociações.
Operação Heritage
O principal fator que provocou o rompimento foi a Operação Heritage, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura suspeitas de desvio de mais de R$ 308 milhões relacionados a um acordo firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa de telefonia Oi, envolvendo a restituição de valores de uma disputa tributária.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a estrutura utilizada para movimentar os recursos possa ter envolvido fundos de investimento e empresas interpostas para ocultar a origem e a destinação do dinheiro.
Entre os alvos estão Mauro Mendes, Fábio Garcia e Mauro Carvalho. Também são investigados outros agentes públicos, incluindo procuradores do Estado, um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e um conselheiro do Conselho Nacional de Justiça.
As suspeitas investigadas incluem organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Até o momento, não há condenações relacionadas à Operação Heritage, que continua em fase de investigação.
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Mauro Carvalho deixa a Casa Civil
Além da saída de Garcia da disputa pelo cargo de vice, Mauro Carvalho também deixará o comando da Casa Civil.
A saída já vinha sendo discutida após Carvalho, a esposa dele, Mônica Carvalho Novis Neves, e outros familiares serem alvos da Operação Heritage.
Na segunda-feira (10), Pivetta fez um discurso de agradecimento e despedida ao secretário.
Carvalho havia retornado à Casa Civil em abril deste ano, depois de deixar o cargo em janeiro de 2024 para se dedicar às próprias empresas. Durante sua ausência, Fábio Garcia chegou a assumir o comando da pasta.
Entre os nomes cotados para substituir Carvalho estão o chefe de Gabinete, Eduardo Manciolli, o ex-deputado federal Adilton Sachetti e Rogério Gallo.


