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PESQUISA APONTA

A poucos dias do 1º turno, eleitor indeciso pode definir os rumos da disputa presidencial

Mesmo com percentuais menores nas pesquisas estimuladas, parte do eleitorado ainda não consolidou escolha

Fonte: R7
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Imagem: URNA ELEICAO A poucos dias do 1º turno, eleitor indeciso pode definir os rumos da disputa presidencial
Com cenário polarizado, presidenciáveis devem disputar votos até os últimos dias – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Arquivo

Parcela importante do eleitorado ainda não tem escolha consolidada para a eleição presidencial. Embora as pesquisas estimuladas mostrem percentuais relativamente baixos de eleitores que se declaram diretamente indecisos, o cenário muda quando o entrevistado precisa citar espontaneamente em quem pretende votar.

Na pesquisa nacional da Real Time Big Data, feita na última quinta-feira (24), o percentual de indecisos diretos fica em 3% na modalidade estimulada, quando os nomes dos candidatos são apresentados. Já na pesquisa espontânea, o percentual de eleitores que não apontam nenhum candidato sobe para cerca de 11%.

O cientista político Gabriel Amaral avalia que o cenário combina a existência de polos eleitorais definidos com uma parcela da população que ainda não tem uma preferência consolidada.

“Talvez o retrato mais adequado seja o de uma eleição simultaneamente polarizada e ainda em processo de consolidação. Os polos já estão claramente estabelecidos, mas uma parcela do eleitorado ainda não incorporou sua escolha com a mesma intensidade das bases mais mobilizadas. É nesse intervalo que a campanha pode produzir efeitos”, analisa.

2022 x 2026

A dimensão desse eleitorado também pode ser observada na comparação com a mesma época da eleição presidencial de 2022. Veja:

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A existência de um eleitorado ainda em processo de decisão ganha peso diante da possibilidade de uma eleição polarizada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno.

Nesse caso, o eleitor que tiver apoiado um candidato eliminado precisará escolher entre os dois nomes que permanecerem na disputa. Os apoios anunciados por partidos e candidatos também não significam transferência automática de votos.

Para Amaral, a decisão tardia é influenciada por fatores que vão além da campanha eleitoral.

“O eleitor chega à reta final carregando uma avaliação do governo, uma percepção sobre sua própria condição econômica, preocupações com segurança e serviços públicos e, principalmente em uma eleição polarizada, diferentes graus de rejeição aos candidatos. Debates, propaganda e acontecimentos de campanha funcionam sobre essas predisposições, podendo reforçá-las ou reorganizá-las.”

Onde estão os indecisos?

A disputa por esse eleitorado, no entanto, não acontece da mesma forma em todas as regiões do país. Os percentuais de eleitores indecisos variam entre os estados, o que pode ser decisivo para o resultado destas eleições.

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A quase uma semana do primeiro turno, o especialista acredita que as campanhas precisam lidar não apenas com a conquista de novos votos, mas também com a consolidação dos eleitores que já fizeram uma escolha e com a redução da rejeição entre aqueles que ainda podem mudar de posição.

“O desafio estratégico é preservar a intensidade da própria base sem ampliar a rejeição entre aqueles de quem ainda precisa. Em uma disputa apertada, a campanha mais relevante da reta final pode não ser aquela capaz de provocar uma grande conversão do eleitorado, mas aquela que consegue administrar simultaneamente mobilização, consolidação e abertura para receber votos que hoje ainda estão em outros lugares”, finaliza.

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