A empregada doméstica Marli Venceslau da Silva, 37, abandonou o recém-adquirido hábito de viajar de avião para visitar a família em Pernambuco, vai tirar a filha de seis anos da escola particular e acaba de renegociar uma dívida no cartão de crédito.

“A passagem está um absurdo. Não tem jeito, a viagem é demorada, mas vou voltar para o busão”, diz ela, que vive em São Paulo.

A história de Marli é parecida com a de um número crescente de famílias brasileiras que têm feito ajuste orçamentário para enfrentar a alta de preços e o menor crescimento, em um contexto de maior endividamento.

Dados da FecomercioSP obtidos com exclusividade pela Folha mostram que a inflação está alta para todas as classes sociais. Nos 12 meses encerrados em setembro, o custo de vida em São Paulo aumentou entre 5,5% e 5,65% para cinco faixas de renda.

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A tendência é explicada por uma alta disseminada de preços. Nenhuma das nove categorias de bens e serviços pesquisadas para as cinco classes sociais teve deflação em setembro.
“O preço de tudo tem subido para todo mundo”, afirma Júlia Ximenes, assessora econômica da Fecomercio.

Embora a inflação esteja igualmente elevada para todos, os consumidores de renda menor têm menos sobra orçamentária e são os mais afetados. “Os mais pobres têm menos defesas contra a inflação, como aplicações financeiras”, diz André Braz, economista da FGV-Rio.

 

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