O dólar fechou em alta de mais de 1% em relação ao real e ultrapassou R$ 2,40 pela primeira vez em cinco meses nesta quinta-feira (23), reagindo ao mau humor do mercado em relação ao Brasil e a outras economias emergentes depois de relatório negativo da Pimco, maior fundo voltado a investimentos nestes países. Em documento, a instituição criticou a política econômica brasileira.

A moeda norte-americana subiu 1,27%, para R$ 2,4026. Este é o maior valor desde 22 de agosto, quando fechou a R$ 2,4320.

“É um movimento no mundo inteiro. A cesta de moedas de mercados emergentes está perdendo valor. É um mal estar como um todo”, afirmou à Reuters um operador de banco estrangeiro citando relatório da Pimco, maior gestora de bônus emergentes do mundo.

“Investidores em mercados emergentes devem ser cautelosos com o Brasil, especialmente devido ao recente fraco desempenho”, avaliou a Pimco em relatório, no qual afirma que falta “ordem e progresso” ao país, em alusão à bandeira brasileira. “Para os investidores em mercados emergentes, o clima no Brasil foi caracterizado por qualquer coisa menos ‘ordem e progresso’ em 2013.”

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Antes do relatório da Pimco, contudo, o dólar já estava subindo. “O movimento de alta do dólar começou, de maneira geral, com a abertura dos negócios nos EUA e é relacionado ao ajuste de operações lá fora”, afirmou à Reuters o gerente de análise da XP Investimentos, Caio Sasaki.

“O dólar tende a trabalhar dentro desse nível, indo a R$ 2,35 quando tem expectativa de entrada (de recursos) e a R$ 2,40 quando vem notícia ruim”, afirmou mais cedo à Reuters o gerente de câmbio da corretora BGC Liquidez, Francisco Carvalho.

Intervenções do BC

A ação do BC, que atua no câmbio para reduzir o preço da moeda americana, não evitou a alta. Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade ao programa de intervenção diária no mercado, vendendo a oferta total de 4 mil contratos de swap cambial tradicional — equivalentes à venda futura de dólares –, todos com vencimento em 1º de setembro de 2014. A operação teve volume financeiro equivalente a US$ 197,8 milhões. A autoridade monetária também ofertou swaps para 2 de maio, mas não vendeu nenhum.

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O BC vendeu ainda uma oferta total de 25 mil swaps na 6º etapa da rolagem dos vencimentos em 3 de fevereiro. Com isso, já rolou quase 70% do lote total que vence no mês que vem, equivalente a US$ 11,028 bilhões.

A prática do swap cambial, adotada pelo Banco Central, consiste em uma operação na qual a instituição vende papéis com juros próximos da taxa Selic (hoje em 10,5%) e data de encerramento definida. A entidade recebe em troca o quanto o dólar valorizou no período de vigência do contrato. A lógica é estimular o investidor a não querer uma grande valorização da moeda estrangeira, para não ter prejuízo na transação.

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Também influenciou na valorização do dólar nesta quinta-feira a expectativa de investidores de que o Federal Reserve, banco central dos EUA, promova corte de US$ 10 bilhões no programa de compra de títulos na próxima semana, reduzindo ainda mais a oferta global de liquidez.

Nesta quinta-feira, dados mostraram que a produção industrial norte-americana avançou, no quarto trimeste, no ritmo mais forte dos últimos 3 anos e meio, e a atividade fabril fechou o ano em tom mais robusto, sinalizando melhora na perspectiva econômica do país.

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