Prestes a completar um ano cumprindo pena em regime semiaberto no município de Rondonópolis, L.M, 36 anos, ainda não conseguiu encontrar um emprego fixo. Desde que saiu da Penitenciária Mata Grande, já exerceu várias funções, mas por falta de qualificação não se manteve no mercado de trabalho. Determinado a mudar esta realidade, o recuperando aposta todas as fichas no curso de “Pintor de Obras” que será realizado nas dependências da Promotoria de Justiça de Rondonópolis, com início previsto para o dia 1º de setembro.

Ao todo foram disponibilizadas 20 vagas. A qualificação faz parte dos trabalhos realizados pela Central de Acompanhamento de Penas e Medidas Alternativas (CAPEX), por meio do núcleo das Promotorias de Justiça de Rondonópolis, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Nos próximos dias, mais 20 vagas serão oferecidas para o curso de Operador de Empilhadeira.

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Até o momento, conforme dados repassados pela Capex, 274 recuperandos do município que cumprem penas nos regimes fechado, semiaberto e aberto já foram contemplados com o projeto. Os cursos tiveram início em julho do ano passado e, desde então, foram disponibilizadas vagas para diversas qualificações, como aplicador de revestimento cerâmico, instalador de sistemas eletrônicos de segurança e salgadeiro.

De acordo com o promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, além da oferta de cursos, o projeto também prevê o direcionamento dos egressos do sistema prisional para o mercado de trabalho. Entre 2013 e 2014 foram realizados aproximadamente 70 encaminhamentos para o balcão de emprego do município e empresas como Odebretch, Sanear, Constral Construtora e Centro Oeste Ambiental.

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REINCIDÊNCIA: Desde que foi criado, apenas 19 pessoas contempladas com o projeto reincidiram e acabaram regredindo no regime, voltando para o fechado. Para a psicóloga Pamella Bertholdi, que acompanha os recuperandos e suas famílias, a experiência tem sido gratificante e os resultados são visíveis.

“É um trabalho muito interessante que ajuda essas pessoas a terem uma nova perspectiva, uma outra chance. Aqui eles têm a oportunidade de fazer escolhas diferentes”, destacou a psicóloga.

O promotor de Justiça Henrique Schneider Neto também destaca a importância da iniciativa. “Por sermos um polo penitenciário temos desafios enormes de encontrarmos alternativas de ressocialização dos egressos do sistema prisional. A Capex tem dado a sua parcela de contribuição. De forma pontual, a conta-gotas, mas bastante ambiciosa, temos encontrado alternativas de inserir essas pessoas no mercado de trabalho”, ressaltou.

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