Aproximadamente 50 mil atletas vinculados às 25 federações regularizadas junto à Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) estão sendo prejudicados pela falta de pagamentos de convênios firmados entre as instituições e o governo do estado. Dívidas do ano passado ainda não foram quitadas e os investimentos do ano corrente ainda não foram realizados. O efeito é o adiamento de eventos, endividamentos e o consequente atraso do calendário esportivo.

De acordo com o representante indicado pelas federações ao Conselho Estadual de Desporto de Mato Grosso (Consed-MT), Francisco Fernandes Júnior, o Chiquinho, a falta dos pagamentos está interferindo nos eventos de todas as federações. Ele diz que além do governo não firmar novos convênios, também não está pagando os de 2014, que estão em restos a pagar. Ele conta que uma das justificativas dadas é a falta de verba no Fundo de Desenvolvimento Desportivo e Lazer de Mato Grosso (Funded).

“Tivemos o cancelamento do Jogos Abertos Mato-grossenses (JAMT), que estava previsto para este mês, em Sinop. E os Jogos Escolares estão sem previsão de data. Ambos eventos da Secel. Também tivemos, por exemplo, dificuldades com o estaduais de judô e de natação, que só ocorreram por conta do apoio dos municípios-sede e terceiros. Temos federações endividadas com fornecedores e prestadores de serviços e outras indo na mesma direção para não prejudicar os atletas. A situação está muito séria.”, fala Francisco Júnior, com preocupação.

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Artes Marciais

Segundo o diretor executivo da Federação Mato-grossense de Jiu-jitsu e Lutas Associadas (FMTJJLA), Alexandre Galina, a 1ª etapa do Circuito Mato Grosso de Lutas foi cancelada por falta de verba. A competição estava prevista para ocorrer no próximo fim de semana, nos dias 18 e 19 de abril, no Palácio das Artes Marciais Iusso Sinohara, em Cuiabá. Segundo ele, o evento, que seria gratuito para o público e competidores, esperava cerca de 200 lutadores vindos de toda região Centro-Oeste, nas modalidades de Luta Olímpica e Beach Wrestling.

“Precisamos de apoio dos órgãos públicos para realizar eventos esportivos. A Secretaria de Esporte de Cuiabá fez a parte dela. Nos emprestou a estrutura, que seria o Palácio das Artes Marciais. Mas a Secel não deu nenhum apoio. Além de não pagar o que nos devem do ano passado, ainda mantém cortados os investimentos deste ano. Sem essa verba para pagar, por exemplo, árbitros e troféus, nós não temos como promover as competições. A falta de planejamento deles está inviabilizando o esporte em Mato Grosso”, avalia o diretor.

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Judô

De acordo com o presidente da Federação Mato-grossense de Judô (FMTJ), Fernando Moimaz, a falta de apoio financeiro da Secel colocou o esporte em situação precária. Ele conta que a 1ª etapa do Campeonato Estadual de Judô, que foi realizada em março, só ocorreu devido ao suporte da Secretaria de Esporte de Cuiabá, da UFMT, de um projeto social com o BOPE e de recursos próprios da FMTJ. Ele diz que a Secel havia se comprometido em investir, mas que na última hora desistiu. Ele ainda confirma que outras competições já estão sendo afetadas.

“No próximo fim de semana, dias 17 a 19 de abril, vamos realizar uma etapa regional do Campeonato Brasileiro. Nela vão participar judocas de seis estados. Era para esse evento ser realizado em Cuiabá. Mas como a Secel também não quis investir, nós tivemos que procurar alternativas. E encontramos a saída com a prefeitura de Campo Verde, ela fez os investimentos necessários e nós levamos o brasileiro para lá. Foi a ajuda da prefeitura de Campo Verde que impediu o cancelamento”, fala aliviado Fernando Moimaz.

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O presidente da federação de judô complementa contando que, outra etapa do Campeonato Brasileiro estava prevista no calendário da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para ser promovida na capital mato-grossense, porém, com as incertezas advindas da postura da Secel, isso deverá ser revisto e transferido de município ou até para outro Estado.

Natação

De acordo com o presidente da Federação de Desportos Aquáticos de Mato Grosso (FDA-MT), Harvey Brizola, por causa da falta de investimento da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), a federação precisou reestruturar o calendário de competições de 2015. E segundo ele, nessa reformulação o estadual de natação foi reduzido.

“O estadual sempre foi organizado, nos últimos 10 anos, em 6 etapas. Neste ano, por causa principalmente do orçamento do governo não ter sido aberto, nós tivemos que diminuir de 6 para 5 etapas. Era muito arriscado manter todo o calendário sem as devidas garantias de custeio. Então por precaução nos reduzimos. Mas esperamos normalizar em 2016”, diz Harvey Brizola.

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