O hino nacional do Brasil foi tocado apenas uma vez no estádio olímpico do Pan de Toronto. Com uma delegação recorde, os representantes do atletismo não conseguiram um desempenho marcante como um todo. Foram 13 medalhas no total, seis pratas, seis bronzes e um ouro solitário. Os números estão bem atrás de Guadalajara (23 no total e 10 ouros). Entretanto, em algumas das provas, é preciso ressaltar as grandes diferenças técnicas e de calendário entre as duas edições dos Jogos Pan-Americanos.

Há quatro anos, o Pan foi disputado em outubro, ou seja, no final da temporada. Atletas fortes dos Estados Unidos e de outros países com tradição nas pistas já estavam de férias. Este ano, em julho, é uma disputa que antecede o Mundial de Atletismo de Pequim em um mês. Além disso, o Pan no Canadá fez com que jovens promessas do atletismo universitário do vizinho Estados Unidos viessem atrás de boas marcas e pódios. Nomes de peso de outros países como Caterine Ibarguen, Pedro Pablo Pichardo, Yarisley Silva, Jennifer Suhr e Andre De Grasse mostraram isso.

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– Esperávamos desde o início uma competição forte, mas acabou sendo mais forte ainda do que imaginávamos, com alguns resultados excelentes – analisou Nélio Moura, técnico chefe do time brasileiro.
O único ouro veio de forma surpreendente. Na prova dos 5.000m feminino, Juliana dos Santos, arrancou no final e foi a mais rápida a cruzar a linha de chegada. Surpresa até para ela. Esposa do maratonista Marílson dos Santos, ela fez em Toronto apenas a sua segunda corrida oficial na distância. Apesar da marca não ser muito forte em disputas olímpicas e mundiais, a atleta conseguiu um grande resultado.

Outro bom destaque foi a prova que rendeu a prata para Fabiana Murer. A campeã mundial de 2011 conseguiu a boa marca de 4,80m – que poderia ter sido recorde do evento. Mas tinha ao seu lado a cubana Yarisley Silva em uma tarde inspirada, passando por 4,85m e ficando com o ouro. A marca dela foi a melhor do ano na temporada. A prova, que muito forte, ainda teve a atual campeã olímpica, Jennifer Suhr, dos Estados Unidos, ficando com o bronze. Outra prova forte foi a de Keila Costa, no salto triplo. Com a prata, ela ficou atrás apenas da atual campeã mundial, Caterine Ibarguen. Nos 100m, Rosângela Santos igualou a melhor marca de sua carreira (11s04) e ficou em quarto lugar.

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Os 200m masculino, que consagraram o astro canadense Andre de Grasse, os três atletas que subiram no pódio correram abaixo dos 20s, com tempos entre os cinco melhores do ano na prova. No salto com vara masculino, por sua vez, Thiago Braz deixou Toronto decepcionado. Recordista sul-americano e dono de uma das melhores marcas do ano (5,92m), ele não acertou nenhum dos saltos no Pan.

– As marcas melhoraram no mundo todo. Diante desse panorama, temos os resultados que vimos aqui. Resultados bons, mas alguns alguns resultados de nível internacional também. Ao meu ver, algumas provas estão muito boas. Outras nem tanto – disse Antonio Carlos Gomes, superintendente de alto rendimento da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

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Entre os revezamentos, o 4x100m masculino levou o destaque. Bruno Lins, Aldmemir Gomes, Vitor Hugo e Gustavo dos Santos haviam ficado com o bronze. Mas um erro que gerou uma desclassificação do Canadá fez o time verde-amarelo subir mais um degrau no pódio. O 4x100m, feminino, que também vivia grande expectativa, foi quarto colocado. O quarteto, entretanto, havia perdido Ana Cláudia Lemos, que se lesionou na semifinal dos 200m.

As outras pratas do Brasil vieram com Ronald Julião (lançamento de disco), Erica Sena (20km marcha atlética) e Adriana da Silva (maratona). Já Caio Bonfim (20km marcha atlética), Luiz Alberto de Araújo (decatlo), Julio Cesar de Oliveira (dardo), Flavia de Lima (800m), Vanessa Spinola (heptatlo) e Jucilene de Lima (dardo) levaram o bronze para o país.

A próxima parada de parte dos atletas brasileiros será em Pequim. Em agosto, será disputado na China o Mundial de Atletismo. Em busca de resultados melhores, a competição será a principal antes dos Jogos Olímpicos do ano que vem.

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