Foto: assessoria
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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Câmara dos Deputados, realizou hoje audiência pública para ouvir o secretário de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Aristides Veras dos Santos.

O secretário da Contag foi convocado porque, segundo deputados da CPI, estimulou a violência em cerimônia no Palácio do Planalto no último dia 1º. Aristides disse: “A bancada da bala no Congresso Nacional, vocês sabem que é forte, e a forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles ainda lá nas bases, lá no campo. E a Contag e os movimentos sociais do campo é que vão fazer isso”.

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O deputado federal Adilton Sachetti (PSB/MT), membro da CPI, se pronunciou durante a audiência dizendo que ficou chocado com as palavras do secretário no palácio do Planalto. “O senhor disse que invadiria as nossas casas. Eu nunca tive, nunca fiz uso de uma arma, não faço parte de nenhuma entidade ligada ao setor da bala, mas eu sou proprietário rural, eu sou produtor rural. E a minha vida toda eu trabalhei a terra. Como é que da noite para o dia, porque eu tenho uma posição política, eu sou inquisitado a me colocar na defensiva por uma ameaça?”, afirmou o deputado.

Os ânimos ficaram acirrados durante a audiência porque Aristides Veras dos Santos fez uso da liminar do Supremo Tribunal Federal que lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio na comissão e de ser assistido por seu advogado. Segundo Sachetti, os deputados da CPI acreditavam que o secretário da Contag iria se pronunciar para pedir desculpas ao país. “Achamos que o senhor diria que foi um momento de entusiasmo, e no momento do entusiasmo muitas vezes a gente erra na colocação das palavras e com isso nós poderíamos tirar esse clima tenso que nós vivemos. Pelo contrário, isso eleva mais ainda essa fervura”, completou.

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O deputado Adilton Sachetti destacou que não é dessa maneira que se faz reforma agrária. “Não podemos criar uma distância entre irmãos brasileiros que somos. Nós temos que ter respeito com as pessoas. Podemos divergir sim nas ideias, podemos ter posição diferente. Muitas vezes temos que ser firmes naquilo que defendemos, mas não precisamos ameaçar ninguém. Nós fizemos a nossa parte como sociedade e não podemos ser ameaçados por alguém que se acovarda atrás de uma entidade para poder ameaçar os outros”, finalizou.

A CPI que ouviu hoje o secretário da Contag é destinada a investigar a atuação da Funai e do Incra na demarcação de terras.

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