
O ebola voltou a ganhar atenção após novos surtos registrados em países africanos, mas especialistas reforçam que a doença não se espalha como infecções respiratórias comuns. A transmissão ocorre principalmente por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados.
No Brasil, o Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), ligado à Universidade Federal do Pará, é referência em doenças infectocontagiosas. A infectologista Rita Medeiros explica que o vírus exige contato próximo com materiais contaminados, o que reduz significativamente o risco de disseminação em países sem circulação ativa da doença.
Os sintomas podem aparecer entre 2 e 21 dias após a infecção e incluem febre alta, fadiga intensa, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em casos mais graves, podem ocorrer vômitos, diarreia, sangramentos e falência de órgãos.
Segundo a especialista, o diagnóstico é complexo porque os sintomas iniciais se parecem com os de doenças tropicais frequentes, como dengue e malária. A confirmação depende de exames laboratoriais específicos e investigação epidemiológica.
Entre as medidas de prevenção estão isolamento de pacientes, higiene frequente das mãos, uso de equipamentos de proteção por profissionais de saúde e evitar contato com animais silvestres ou materiais contaminados.
Recentemente, o Ministério da Saúde descartou dois casos suspeitos investigados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os pacientes, que tinham histórico de viagem à África, foram diagnosticados com malária e doença meningocócica, respectivamente.
A OMS monitora um surto em países africanos e estima taxa média de letalidade de cerca de 50%, embora ela varie conforme a qualidade da assistência médica. A entidade não recomenda restrições de viagens no momento, mas orienta que pessoas com contato próximo a casos suspeitos evitem deslocamentos.
Atualmente, existem vacinas e tratamentos específicos para algumas espécies do vírus Ebola, mas ainda não há terapia aprovada para a variante Bundibugyo, associada ao surto em curso na África.


