
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (9), a Operação Última Chamada, para cumprir seis ordens judiciais relacionadas à investigação do sequestro, morte e ocultação do corpo de Verônica Sabrina Ribeiro Oliveira, de 24 anos, desaparecida em Rondonópolis (MT) desde abril de 2023.
Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão, expedidos pela Primeira Vara Criminal de Rondonópolis. A ação foi coordenada pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF).
Segundo o delegado João Paulo Praisner, responsável pela investigação, os três presos possuem histórico de envolvimento em crimes violentos e ocupavam posições de relevância dentro de organizações criminosas.
Relembre o caso
O desaparecimento de Verônica ocorreu no dia 30 de abril de 2023. Próximo ao horário do almoço, ela saiu de casa para encontrar amigos em um bar no bairro Jardim Morumbi.
De acordo com a investigação, pouco depois de chegar ao estabelecimento, o proprietário do bar, com auxílio de outro integrante de uma organização criminosa, teria tomado o celular da jovem e passado a verificar as mensagens e outros conteúdos armazenados no aparelho.
Após essa ação, um grupo chegou ao local em um veículo Volkswagen Voyage. Conforme as apurações, Verônica foi retirada do bar à força e colocada no veículo contra a própria vontade.
A partir daquele momento, ela não foi mais vista.

“Pelo que foi apurado nos autos de inquérito policial, nós não temos dúvida de que a vítima foi sequestrada e acabou sendo executada ainda naquele dia 30 de abril”, afirmou o delegado João Paulo Praisner.
Apesar das diligências realizadas desde então, o corpo da jovem ainda não foi encontrado.
Investigação identificou quatro envolvidos
A Polícia Civil conseguiu identificar quatro homens que teriam participado da ação criminosa. Três deles foram presos nesta quarta-feira.
O primeiro é apontado como liderança de uma facção criminosa e já estava preso na Penitenciária Major Eldo de Sá Corrêa, a Mata Grande, em Rondonópolis, por outros crimes. Os policiais foram até a unidade prisional para cumprir a ordem judicial e também realizaram uma busca na cela, onde foram encontrados dois aparelhos celulares.
O segundo investigado é o proprietário do bar onde Verônica estava. Segundo a investigação, a participação dele teria sido fundamental para a execução do crime, já que teria subtraído o celular da vítima e permitido que informações do aparelho fossem acessadas antes de ela ser retirada do estabelecimento.
O terceiro preso é apontado como o homem que chegou ao bar conduzindo o Voyage e retirou Verônica do local, transportando a jovem contra a vontade dela.
O quarto envolvido, identificado durante as investigações, não poderá ser responsabilizado criminalmente porque morreu em confronto com policiais em 2024, durante outra operação relacionada ao sequestro de 14 trabalhadores recém-chegados a Rondonópolis.

“Última Chamada”
O nome da operação faz referência ao último contato feito por Verônica antes de desaparecer.
Segundo a Polícia Civil, momentos antes de ser retirada do bar, a jovem conseguiu entrar em contato com pessoas próximas e contou que estava no estabelecimento. Ela também teria demonstrado estar com medo depois que integrantes da organização criminosa acessaram o conteúdo de seu celular.
Para a investigação, esse contato foi o último registro conhecido de Verônica antes de ela ser levada do local.
Polícia ainda busca localizar corpo
Mesmo após mais de três anos de investigação, a localização do corpo continua sendo um dos principais objetivos da Polícia Civil.
O delegado João Paulo afirmou que novas diligências não estão descartadas e que a investigação pode alcançar outras pessoas que eventualmente tenham participado do crime.
Os três presos nesta quarta-feira deverão ser indiciados, de acordo com a participação de cada um, pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e integração de organização criminosa.
A Polícia Civil tem prazo de dez dias para concluir o inquérito policial referente à operação, sem prejuízo da continuidade das diligências necessárias para esclarecer completamente o caso e tentar localizar o corpo de Verônica.


