Foto: Projeto Tamar
Foto: Projeto Tamar

Desde a chegada da lama da barragem da Samarco em Mariana (MG) ao Espírito Santo, biólogos em Linhares tentam evitar que filhotes de tartarugas marinhas entrem em contato com o mar contaminado após saírem dos seus ninhos.

Nesta semana, uma equipe do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Tamar/ICMBio) abriu dois ninhos de tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), para retirar de lá filhotes recém-nascidos e transportá-los para um ponto mais ao sul da praia de Regência, afastado da foz do Rio Doce.

“Eles já haviam saído de dentro dos ovos. Nós percebemos e resolvemos abrir o ninho de areia, como se fosse uma cesárea mesmo”, disse à BBC Brasil a bióloga Jordana Freire, que participou da operação.

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E é provável que elas sejam velhas conhecidas dos pesquisadores.“Eles estavam na iminência de sair na noite seguinte, mas nós os tiramos dos ninhos antes, para evitar que eles entrassem naquele mar cheio de lama”, disse a bióloga referido-se ao movimento natural dos filhotes em direção ao mar.

Divulgação
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No domingo, segundo Freire, outros dois ninhos haviam sido abertos. Estes são os primeiros filhotes de tartaruga marinha nascidos na área afetada pelos rejeitos da barragem de Mariana.

Desde o anúncio do rompimento da barragem de Fundão, no distrito de Bento Rodrigues – que fez transbordar uma segunda barragem de rejeitos, a de Santarém – os pesquisadores do Tamar em Linhares intensificaram o deslocamento os ninhos das tartarugas para locais mais seguros, fora do alcance da lama, quando ela chegasse à foz do Rio Doce e ao mar.

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“Nem deu tempo de chorar, só estamos trabalhando”, afirma Thomé.

“Os ninhos já são depositados pelas fêmeas nas áreas secas da praia, onde a maré não banha. Mas estamos movendo porque a praia pode avançar, pode haver erosão natural. Preferimos fazer isso por segurança.”

A maior parte dos ninhos é de tartarugas-cabeçudas, que põem, em média, 100 ovos.

De acordo com o biólogo, entre 70 e 80% destes ovos eclodem com filhotes e apenas um deles chegará à idade adulta, em cerca de 25 anos.

Para proteger os filhotes, os biólogos redobraram a atenção sobre o rumo que a mancha marrom tomará por causa dos ventos e das correntes marítimas – na terça-feira, ela já se estendia por cerca de 15 km ao norte da costa, 7 km ao sul e 10 km mar adentro, segundo a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo.

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O objetivo é garantir que as pequenas tartarugas tenham um trecho de mar limpo para navegar.

Por isso, monitoram os ninhos para acompanhar a abertura natural dos ovos e levam os filhotes a trechos da praia que estão mais distantes da mancha.

“Queremos que eles possam correr para o mar livres de lama. Esse percurso é importante porque eles o memorizam para voltar no futuro.”

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