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DESDE 1922

Disputa territorial entre Mato Grosso e Pará por área de 22 mil km² vai a conciliação no STF

Estados divergem sobre divisa definida em 1922; audiência marcada pelo STF pode definir futuro de região com alto potencial econômico e energético

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Imagem: usina teles pires Disputa territorial entre Mato Grosso e Pará por área de 22 mil km² vai a conciliação no STF
Usina Teles Pires – Foto: Câmara Municipal de Juara/Poder Legislativo

Uma disputa territorial entre os estados de Mato Grosso e Pará voltou ao centro das atenções e será tema de uma audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste mês de maio. A área em discussão é estimada em cerca de 22 mil km², o equivalente a aproximadamente 2,2 milhões de campos de futebol.

A região, conhecida como “Salto das Sete Quedas”, possui grande potencial econômico, com destaque para a atividade agrícola e recursos energéticos. Entre os pontos estratégicos está a Usina Hidrelétrica Teles Pires, considerada uma das maiores do país, localizada em uma área com alto potencial de geração de energia entre os rios Rio Araguaia e Rio Teles Pires.

Entenda o impasse

O governo de Mato Grosso alega que houve um erro na demarcação da divisa entre os estados, realizada em 1922, o que teria transferido indevidamente o território ao Pará. Com base nessa tese, o estado ingressou com ação judicial em 2004.

Em 2020, o STF decidiu, de forma unânime, pela manutenção da área como pertencente ao Pará. No entanto, Mato Grosso recorreu da decisão e segue defendendo a revisão do caso.

Agora, o ministro Flávio Dino marcou uma audiência de conciliação para o dia 21 de maio, em Brasília, com o objetivo de buscar um acordo entre as partes.

Mato Grosso sustenta que moradores da região disputada mantêm vínculos diretos com municípios como Paranaíta e Alta Floresta, utilizando serviços públicos dessas cidades devido à proximidade geográfica. Além disso, a Procuradoria-Geral do Estado afirma que o acesso a municípios paraenses é limitado para quem vive na área.

O estado também apresentou ao STF documentos históricos, mapas e laudos técnicos que, segundo a gestão, comprovariam erro na interpretação da linha divisória original.

Já o governo do Pará defende a decisão tomada pelo STF em 2020, argumentando que o julgamento foi baseado em critérios técnicos e históricos consolidados.

Um dos pontos centrais da discussão é o fato de que a divisa não segue cursos d’água naturais. Trata-se de uma “linha seca” de aproximadamente 690 quilômetros, que se estende desde a Ilha do Bananal até o Salto das Sete Quedas, no município de Apiacás.

A audiência marcada no STF deve reunir representantes dos dois estados na tentativa de uma solução consensual. Caso não haja acordo, o processo seguirá para nova análise judicial.

O desfecho da disputa pode impactar diretamente questões econômicas, administrativas e sociais, especialmente para a população que vive na região em litígio.

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