
Dados divulgados pelo MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública) nesta terça-feira (22) mostram que, em 2024, mais de 70,4 mil policiais civis e militares, além de bombeiros, tiveram de se afastar das atividades de trabalho devido a diagnósticos de transtornos psicológicos.
Os números constam do primeiro levantamento consolidado do governo federal sobre a saúde mental desses servidores. Os indicadores refletem a taxa de adoecimento psicológico dos profissionais que lidam no dia a dia com situações como crimes, acidentes e tragédias.
Nesta quarta-feira (23), o MJSP iniciará uma segunda pesquisa, referente ao ano de 2025, com resultados apresentados até dezembro próximo. Para o secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, os índices mostram “uma estatística preocupante e invisível do adoecimento de profissionais que lidam com situações muito duras no dia a dia e que andam armados”.
Desenvolvimento de políticas públicas
Ao todo, 185 secretarias de segurança pública e outras instituições desse setor em cada unidade da Federação forneceram os dados para elaboração do relatório nacional, que deverá orientar políticas federais. A pesquisa também visa analisar as estruturas de diagnóstico e atendimento desses profissionais, mas ainda está em construção o modelo para padronização dos dados.
Coordenador do estudo, Michael Leone destaca um cenário que precisa de atenção: “Algumas instituições que levantamos estavam com 100% dos profissionais com algum tipo de transtorno psicológico”.
Afastamentos por atestados de psicólogos e psiquiatras em 2024:
- 38.761 bombeiros militares
- 28.449 policiais militares
- 3.276 policiais civis
Entre bombeiros militares,
- A maioria (26.280) eram sargentos
Entre policiais militares,
- A maioria (16.963) eram soldados
Entre policiais civis,
- A maioria (2.660) eram agentes
Ampliação da infraestrutura
Durante a cerimônia do lançamento da pesquisa no MJSP, o secretário Chico Lucas e o procurador-geral de Justiça da Bahia, Pedro Maia, assinaram ainda um protocolo de cooperação para que o MPBA (Ministério Público da Bahia), como órgão de controle externo da atividade policial, comece a capacitar promotores do estado para identificar sinais de adoecimento mental desses servidores.
O próximo passo será diagnosticar os problemas existentes nas demais unidades da Federação, para identificação desse problema e das estruturas existentes para tratamento dos trabalhadores.


