
O homem identificado como Raffael Amorim de Brito foi preso nesta quarta-feira (7) no município de Itaboraí, no Rio de Janeiro, suspeito de assassinar o sargento da Polícia Militar Odenil Alves Pedroso, de 47 anos, em Cuiabá. Ele estava foragido desde o crime, ocorrido em 28 de maio de 2024.
A prisão foi realizada após uma força-tarefa interestadual, envolvendo a Agência Central de Inteligência da Polícia Militar de Mato Grosso, a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal e o Gaeco de Mato Grosso.

Segundo informações das forças de segurança, Raffael estava escondido no Complexo do Alemão, na capital fluminense, e foi capturado após sair do local para cometer um roubo a residência em Itaboraí. Ele foi monitorado pelas equipes de inteligência até o momento da prisão.
O secretário de Estado de Segurança Pública, coronel César Roveri, ressaltou que as buscas nunca foram interrompidas.
“As forças de segurança de Mato Grosso nunca iriam parar até encontrar e prender o suspeito do assassinato do sargento Odenil”, afirmou.
Além da acusação de homicídio, Raffael possui passagens criminais por estupro, roubo e tráfico de drogas. Assim que a transferência for autorizada, ele será conduzido para Mato Grosso, onde cumprirá os mandados de prisão e responderá judicialmente pelo crime.
Relembre o caso
O sargento Odenil Alves Pedroso foi executado na tarde de 28 de maio de 2024, em uma lanchonete localizada em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Morada do Ouro, em Cuiabá (MT). No momento do ataque, o policial cumpria jornada extraordinária de trabalho, autorizada durante seu horário de folga.

No dia seguinte ao crime, imagens de câmeras de segurança confirmaram a dinâmica da execução. A Polícia Civil identificou como executor Raffael Amorim de Brito, então com 28 anos, que já possuía mandados de prisão em aberto por crimes como roubo e extorsão mediante sequestro. Durante as investigações, a polícia localizou a motocicleta, roupas e outros objetos usados no crime.
As forças de segurança mobilizaram mais de 300 policiais em uma força-tarefa que envolveu PM, Polícia Civil, Bope, Rotam, Força Tática e operações aéreas. Em confrontos relacionados à fuga do suspeito, três homens morreram após troca de tiros com a Força Tática em Sinop, apontados como integrantes do grupo de apoio ao foragido.
Em junho de 2024, o Governo de Mato Grosso passou a oferecer recompensa de R$ 10 mil por informações que levassem à prisão de Raffael. Um telefone exclusivo foi disponibilizado pela Secretaria de Segurança Pública para concentrar as denúncias.
Ainda naquele mês, um homem foi preso acusado de dar apoio direto à fuga do suspeito, confessando ter transportado Raffael após o crime, a mando de uma facção criminosa. Mesmo com diversas diligências e operações, o autor dos disparos seguiu foragido.
Já em janeiro de 2025, um novo desdobramento ocorreu com a morte de Douglas Gonçalves de Oliveira, conhecido como “DG”, apontado como liderança de facção criminosa e envolvido na rede de apoio à fuga de Raffael. Ele morreu em confronto com a Força Tática em Cuiabá. Apesar disso, Raffael Amorim de Brito continua foragido, e o crime completou meses sem a prisão do executor.
Apoio de facção criminosa
As investigações apontaram que Raffael recebeu apoio financeiro e logístico de lideranças do Comando Vermelho enquanto estava foragido no Rio de Janeiro. Essa linha de apuração ganhou força em fevereiro de 2025, com a prisão de Aldemir de Assis Campos, conhecido como “Tucão”, apontado como uma das principais lideranças da facção e integrante do chamado “Conselho Final”, responsável por ordenar execuções.
Segundo as autoridades, Tucão teria financiado a fuga de Raffael e de outros envolvidos no assassinato do sargento. Ele permanece preso.
A prisão de Raffael Amorim de Brito dá agora a família e amigos do sargento, um desfecho importante para um dos crimes que mais comoveram a segurança pública de Mato Grosso nos últimos anos. As forças de segurança informaram que novas informações poderão ser divulgadas a qualquer momento.
Veja a ordem cronológica do crime até a investigação:
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