
Em 2025, Mato Grosso registrou 606 trabalhadores resgatados em condições análogas à escravidão, segundo dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no relatório “Conflitos no Campo Brasil 2025”. O estado também concentrou o maior número de ocorrências de conflitos por terra na região Centro-Oeste.
De acordo com o levantamento, foram contabilizados 63 conflitos no campo em Mato Grosso ao longo do ano, envolvendo cerca de 54 mil pessoas. Desse total, 53 casos estão relacionados a disputas por terra, atingindo mais de 11 mil famílias.
A região Norte do estado aparece como a área com maior número de registros, concentrando ocorrências em 26 municípios. Em todo o estado, 48 cidades tiveram algum tipo de conflito relacionado à questão agrária.
O relatório também aponta aumento nas notificações de ameaças, intimidações e disputas envolvendo propriedades rurais. Além disso, foram registrados casos de ameaça de despejo judicial envolvendo milhares de famílias.
No combate ao trabalho análogo à escravidão, Mato Grosso liderou o ranking nacional de resgates em 2025. Segundo os dados apresentados, uma das principais ocorrências aconteceu em Porto Alegre do Norte, onde centenas de trabalhadores foram encontrados em condições irregulares durante fiscalização em uma obra ligada ao setor de etanol. Outro caso ocorreu em Nova Maringá, envolvendo trabalhadores do corte e empilhamento de madeira.
Os números também mostram crescimento nos conflitos relacionados ao uso da água. Ao todo, oito ocorrências foram registradas no estado, afetando mais de 1,4 mil famílias. As situações envolvem disputas por acesso a recursos hídricos, impactos ambientais e restrições de uso em determinadas regiões.
No cenário nacional, o relatório aponta redução no número geral de conflitos no campo em comparação ao ano anterior. Ainda assim, houve aumento nos registros de violência e nos casos de trabalho análogo à escravidão identificados durante operações de fiscalização.


